domingo, 17 de junho de 2012

Justiça a Orlando Silva seria reconduzí-lo ao cargo, com um pedido de desculpas do PIG

Gilberto de Souza é editor-chefe do Correio do Birasil




Orlando Silva foi tratado como lixo em veículos de comunicação da imprensa golpista


O ditado mineiro do ‘pau que bate em Chico também bate em Francisco’, bem aplicado, oferece à administração da presidenta Dilma Rousseff a oportunidade única de transmitir uma lição exemplar. Dilma deixou claro que, para trabalhar na equipe dela, é preciso ter ‘ficha limpa’, como é de gosto dos legalistas, e sequer merecer uma citação que seja nos meios conservadores de comunicação, ainda que estes jornais, revistas e canais de TV defendam, veladamente, a permanência dos esquemas criminosos de contraventores, latifundiários escravagistas, corruptos ligados à extrema-direita e outros bichos desta fauna. Fazem parte do bioma político. Para combatê-los, felizmente, estabelece-se a blogosfera, este organismo suprapartidário e independente, formado por centenas de cabeças e cérebros brilhantes o suficiente para enfrentar os canhões dos diários a serviço da selvageria, e seguir vencendo a batalha por marcos regulatórios na mídia nacional.

Hoje, no país, não apenas o que concerne à parte física, os aparelhos de trasmissão, torres, satélites, a infra-estrutura em si, essa parafernália que mantém os celulares, a internet e os canais de TV no ar, mas a quase totalidade da produção de notícias e entretenimento, o conteúdo intangível dos meios de comunicação, a maior parte é de propriedade da iniciativa privada. Até a privatização das teles, no governo de Fernando Henrique Cardoso, o meio físico de transmissão de dados estava disponível para qualquer cidadão brasileiro.

Obviamente, com o entulho autoritário que até hoje teima em sobreviver na máquina pública, esse ‘qualquer cidadão’ não era bem assim. Na ditadura, imposta para a defesa dos interesses capitalistas, em linha com os EUA, uns cidadãos são mais cidadãos do que outros. Como denuncia o best seller do jornalista Amaury Ribeiro, A Privataria Tucana, diante o despejo inexorável nas urnas, na eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, trataram de passar os bens públicos para as corporações privadas, aliadas ao governo da época, e seguiram adiante, ainda que esfacelados, no que restou de partidos como o DEM e o PSDB, ora em fase de reorganização no PSD, do prefeito paulistano Gilberto Kassab. Dinheiro, para essa turma, não falta.

Eleição após eleição, as agremiações partidárias apoiadas por aqueles donos da mídia perdem espaço político no Congresso. Mas o poder segue intocado no cartel dos veículos de comunicaçãoliderado por Veja, principal título da Editora Abril; O Globo, expoente impresso das organizações de propriedade da família Marinho, dona também da Rede Globo mais uma teia de afiliadas e retransmissoras de sinais de rádio e TV; os paulistanos Folha e Estado de S. Paulo e mais meia-dúzia de três ou quatro grupos familiares, todos ligados entre si.

Titulares de uma fatia considerável das cadeiras no Parlamento, os grupos econômicos internacionais que sustentam o cartel da mídia não têm nada de idiotas. Já perceberam o constante distanciamento dos interesses públicos daquele ideal de Estado mínimo defendido até o ocaso da Era FHC, já se vai uma década. De lá até agora, as mudanças têm ocorrido de sorte que o avanço não signifique a ruptura do tecido social e descambe para uma situação de conflito capaz de atingir, em cheio, o atual quadro econômico favorável do país, em meio a uma grave crise mundial. Isso é tudo o que os inimigos dos brasileiros querem.

Percebe-se, assim, que a presidenta Dilma pisa em ovos. Ainda mais quando precisa quebrar alguns para manter o peso do seu governo bem distribuído, de forma a não fazer uma gemada só. Por isso, difícil acreditar que os mecanismos de inteligência do país sejam tão obtusos a ponto de somente produzir arapongas para o esquema criminoso do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e nenhuma outra informação relevante. Custa crer que, nos relatórios confidenciais entregues durante o café da manhã presidencial não constasse uma linha sequer sobre a ligação entre a mídia esgoto, que destila os piores venenos contra a inquilina do Palácio do Planalto, e a quadrilha que sangra os cofres públicos. A realidade, porém, é que se soube, se estava por dentro, manteve o olhar de federalista alucinada e, refém do bullyng midiático, continua até agora a liberar o apoio bilionário às organizações mantidas pela força do capital internacional, com a desculpa de que não há marcos regulatórios suficientes para romper a barreira do cartel que comanda o setor das comunicações no Brasil. E, assim, segue sustentando cada um deles com verba pública aos borbotões. Páginas e mais páginas de publicidade. Anúncios de 30 segundos que são uma beleza. A festa não para. Não enguiça.

Evidentemente, esta é uma situação ingrata, desconfortável para a mulher que sustenta o discurso reto de quem apanhou muito na vida até chegar ao posto mais alto da República. Da mesma forma, é de se pressupor que alguém como o jornalista Franklin Martins, que durante oito anos trabalhou para desvendar os meandros desse pântano do setor midiático brasileiro e ramificações e efluentes, não teve todo o esforço jogado no lixo, ainda que nada, ou pouco, tenha acontecido até agora para se acreditar no contrário, em alguma mudança no horizonte da regulamentação do uso de verbas públicas para o setor.

Mas a Justiça há de ser feita, se valer a sabedoria popular que mineiros como a presidenta valorizam tanto. Se o pau cantou para as bandas do então ministro dos Esportes, Orlando Silva, transformando-o no ‘Chico’ do noticiário que escorre a céu aberto, a ponto de ser tratado como lixo na Operação Faxina, como foi batizada no bordão dos espirratintas de aluguel, o mínimo agora é redimí-lo, após unanimemente inocentado – por absoluta falta de provas – pela Corte que o julgou.

Está na hora, então, do pau cantar nos ‘Franciscos’ que o prejulgaram. Nos representantes do cartel midiático que atiraram uma pá de lama no nome de um cidadão honrado que, ao longo de um ano inteiro, foi tratado como pária. A pancada mais séria, porém, muito mais do que agilizar o trâmite dos marcos regulatórios da mídia, seria reconduzir Orlando Silva ao cargo, do qual foi apeado pela calúnia, prática tão comum no manual de redação dos militantes desse Partido da Imprensa Golpista (PIG), que ainda deverá um solene pedido de desculpas ao ex-ministro.


sexta-feira, 15 de junho de 2012

“CAPRILES GARANTE SEGURANÇA E CHÁVEZ CENÁRIOS DE GUERRA”


El Nacional, um dos dois diários conservadores mais tradicionais da Venezuela (Fotos: Jadson Oliveira)
Numa banca da Av. Baralt, centro de Caracas, estavam expostos 19 jornais diários
Os jornalões venezuelanos apelam no vale-tudo da manipulação contra Chávez
 
Por Jadson Oliveira, do blog Evidentemente
 
De Caracas (Venezuela) – Que tal a manchete acima? É da primeira página do El Nacional, um dos dois jornais mais tradicionais do país (o outro é El Universal), edição da quarta-feira, dia 13, dizendo ser com base nos programas dos dois candidatos entregues quando da inscrição no Conselho Nacional Eleitoral (CNE, equivalente ao nosso Tribunal Superior Eleitoral/TSE). No texto da chamada de capa menciona as promessas do oposicionista Henrique Capriles (inscrito dia 10), inclusive falando contra a violência, e, quanto ao presidente Hugo Chávez (inscrito dia 11), os redatores dizem que “insiste em formar milicianos ‘para conflitos não convencionais’ e novos corpos de combatentes”.
 
Os diários antichavistas, a grande maioria entre os da mídia privada, forçam a barra para tentar quebrar o favoritismo do candidato “oficialista”, como dizem aqui. No mesmo dia, El Universal berrava, também em manchete de capa, que Chávez quer que 68% da população do país vivam em comunas, tentando assustar a classe média, um segmento para o qual o próprio presidente dissera em discurso que seus partidários devem dar uma atenção especial.
 
E sempre há os que exageram mais ainda na dose: El Nuevo País, por exemplo, do mesmo dia 13, dedica quase toda a primeira página à inscrição dos dois principais concorrentes à eleição presidencial de 7 de outubro. Escancara: “Algo saiu mal”, com o reforço: “O Comando Carabobo (do “oficialista”) só levou 121.500 pessoas para inscrever Chávez, 12% do que conseguiu o Comando Venezuela (do oposicionista) um dia antes ao inscrever Capriles”. A fraude com as fotos é impressionante: a foto maior mostra uns grupinhos de gente numa praça e um textinho intitulado “Falando ao vento”. E ainda tem um título com um dos ministros do CNE confirmando o “ventajismo oficialista” (ou seja, o órgão que dirige o pleito, o Poder Eleitoral, como dizem aqui, estaria favorecendo a campanha do presidente).
Os editores do El Nuevo País capricharam na manipulação
Primeira página do estatal Correo del Orinoco, da terça, dia 12
A escolha, os cortes e a edição das fotos devem se transformar num quebra-cabeça especial para os editores, tal a disparidade que elas mostram a depender da linha editorial e o atrevimento no ato de manipular a informação.
 
Outro capítulo estarrecedor é quanto à estimativa do número de militantes/apoiadores de cada candidato. No caso acima do El Nuevo País (é só fazer as contas), os caprilistas nas ruas de Caracas teriam sido pouco mais de 1 milhão, para 121.500 chavistas (é muita precisão!). Aliás, a incrível cifra de 1 milhão foi mencionada por Capriles em seu discurso e destacada na cobertura do El Universal como se fosse algo crível. Os jornais chavistas procuraram mostrar que o poder de mobilização de seu candidato superou o do adversário, mas preferiram a expressão “um mar de gente” ao falar da sua manifestação. O que não deixa de ser verdade, só falta acrescentar “um mar vermelho”, pois é a cor de quase todas as camisetas.
 
(Essa questão sempre é escorregadia: se eu fosse perguntado, eu chutaria: cerca de 30 mil para Capriles e cerca de 50 mil para Chávez. Me lembro dos velhos tempos de repórter em Salvador, Bahia, época da ditadura: nas coberturas de comícios, manifestações e passeatas, os repórteres dos diversos diários combinávamos o número estimado: se fosse da oposição, a gente espichava pra cima, se fosse qualquer coisa a favor do governo, a gente espichava pra baixo. O pobre do leitor recebia a informação capenga).
 
Numa banca de jornais da Avenida Baralt, uma das principais do centro da capital venezuelana, contamos (eu e o dono do “kiosko”, William Ovalles) 19 diários. Somente três eram governistas, conforme avaliação de Ovalles e minha própria, de acordo com o viés da primeira página e pelo que já conheço dos principais. Os três: os estatais Correo del Orinoco, do governo federal, custa baratíssimo – 1 bolívar (tem o mesmo nome de um antigo periódico criado por Simón Bolívar), e Ciudad CCS (da prefeitura de Caracas), que é gratuito; e o terceiro é o Diario VEA (Veja), editado por uma empresa privada.
William Ovalles, dono de "kiosko" na Av. Baralt: aqui não estão os "alternativos"
Banca de jornais em frente ao shopping Metro Center, também no centro de Caracas
O grande diferencial fica por conta do Últimas Notícias, que é o jornal mais lido pelos venezuelanos, de propriedade de um grupo privado. Embora a maioria dos editoriais seja de orientação antichavista, as matérias noticiosas conseguem ser equilibradas, contendo portanto informações com grau razoável de credibilidade.
 
William Ovalles comentou, muito oportunamente, que ali na banca não estavam os que chamou “alternativos”, ou seja, as dezenas de publicações semanais e quinzenais das diversas comunidades e movimentos sociais. Tais meios de comunicação, juntamente com as rádios e TVs comunitárias, têm forte influência na chamada revolução bolivariana e recebem o apoio oficial através de arrojado programa do governo de Chávez, conforme já foi abordado em algumas matérias deste blog.
 
(Tentarei um dia desses fazer abordagem semelhante no que toca às emissoras privadas de TV. Aí o jogo é também pesado, especialmente quando se fala da TV Globo Visión, apelidada pelos chavistas de Globo Terror, já que é o mais eminente veículo do chamado terrorismo midiático. Mas aí o chavismo tem também um contrapeso poderoso: as TVs estatais, particularmente a Venezuelana de Televisão).
 
Jadson Oliveira é jornalista baiano e vive viajando pelo Brasil, América Latina e Caribe. Atualmente está em Caracas (Venezuela). Mantém o blog Evidentemente - www.blogdejadson.blogspot.com .  

Artigo de Fabio Lima: A intransigência no Poder. " 0 governo Jatene não percebeu ainda que a greve da Adepará, põe em risco um importante trunfo político e econômico para o Estado, estamos pleiteando para todo o Estado do Pará a mudança de status sanitário, para livre de febre aftosa"

Fabio Lima
A intransigência e o autoritarismo andam lado a lado, quando se fala do governo Jatene e seus secretários, essa postura arrogante em não discutir os problemas com os servidores é típico do PSDB, desde o governo Almir Gabriel, passando pelo 1º mandato de Jatene os servidores, não conseguem manter um canal de negociação para discutir a questão salarial, junta-se a essa conjuntura a atual secretária de Administração(SEAD), Alice Viana, que tem rechaçado qualquer proposta de resolução que é apresentado a sua secretaria.
Essa política salarial impositiva, lamentavelmente desvaloriza e desestimula os trabalhadores que levam a máquina burocrática a duras penas. Paradoxalmente o governador cria 5 novas super secretarias e incrementa a folha com dezenas e centenas de novos DAS, para cumprir acordos políticos com seus aliados. Essa política incha a folha salarial e serve como argumento para justificar o aumento de quase 100 milhoes de reais na folha de pagamento em apenas 1 ano e 5 meses de governo. Diante deste cenário, resta aos trabalhadores se organizar e cobrar, usando como instrumento de pressão a paralisação e a greve, como no caso da Adepará, que desde o dia 11 de maio, seus servidores resolveram deflagrar o processo de greve.
Apresento a seguir uma série de elementos que justificam a insatisfação dos servidores da ADEPARÁ para com a sua remuneração: Hoje a Adepará é responsável pela fiscalização e inspeção de produtos e subprodutos de origem animal e vegetal; o Estado do Pará tem o 5º maior rebanho bovino e o maior rebanho bubalino do país; respondemos por 95% da exportação de boi em pé para países como Líbano, Egito e Venezuela; Exportamos carne bovina para Europa, Asia, EUA e Oriente Médio; nossa produção vegetal também é expressiva, são os casos do Óleo de Palma, Cítricos, Cacau, Abacaxi, Feijão, Mandioca, Soja milho entre outras Culturas. Toda essa produção perpassa obrigatoriamente pelos programas de Acompanhamento, inspeção e fiscalização da Adepará. Por isso é injustificável termos o 2° pior salário entre todas as agencias de defesa do país. Nossa produtividade não é acompanhada pela remuneração. Um claro exemplo disso é que a o governo Jatene não percebeu ainda que a greve da Adepará, põe em risco um importante trunfo político e econômico para o Estado, estamos pleiteando para todo o Estado do Pará a mudança de status sanitário, para livre de febre aftosa com vacinação, junto ao Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento(MAPA) e também a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), órgão que avaliza os programas sanitários a nível internacional. Essa mudança de patamar sanitário significa que o Estado está cumprindo suas obrigações para com o Brasil e com o Mundo, além de abrir as portas para a implantação de frigoríficos e a indústria do setor alimentício nacional e internacional.

Nesse sentido, a pauta dos servidores é mais do que justa, “não temos a pretensão de querer um salário similar ao fiscais do MAPA, que gira em torno de R$13.000, nem ao menos estamos discutindo os maiores valores de salário base das Agencias de Defesa estaduais, que hoje é acima de R$5.000, queremos um salário digno que corresponda a importância das tarefas que executamos nesse imenso Estado”. Por isso, não abrimos mão a manter a organização e buscar aliados para sensibilizar o executivo para que entendam que a responsabilidade maior em manter o bem estar econômico, político e social e sanitário de seus cidadãos é do governador Simão Jatene.(Comissão De Greve).

segunda-feira, 11 de junho de 2012

ELEIÇÃO NA VENEZUELA: AS RUAS NESTE DOMINGO FORAM DOS ANTICHAVISTAS

Vendendo saúde e juventude, Capriles adentra a Praça Caracas, após caminhada de 10 quilômetros (Foto do sítio www.6topoder.com)
Praça Caracas tomada por manifestantes antichavistas (Demais fotos: Jadson Oliveira)
Henrique Capriles, da oposição, se inscreve como candidato, faz caminhada e grande concentração na Praça Caracas; nesta segunda é a vez de Hugo Chávez

Por Jadson Oliveira, do blog Evidentemente

De Caracas (Venezuela) – Oficialmente, a partir de ontem, domingo, dia 10, Henrique Capriles Radonski está inscrito no Conselho Nacional Eleitoral (CNE, nosso Tribunal Superior Eleitoral/TSE) como candidato a presidente da República Bolivariana da Venezuela. Para os partidários do presidente Hugo Chávez Frías, no poder há 13 anos, candidato à segunda reeleição e demonizado pelas corporações da mídia internacional, é o homem das velhas oligarquias e do império estadunidense, da direita, escolhido como instrumento de mais uma tentativa de desestabilização da “revolução bolivariana, rumo ao socialismo”.

Mas para os antichavistas, Capriles – de apenas 39 anos, ex-governador do estado de Miranda - é o candidato “da unidade”, dos que querem “uma só Venezuela, sem violência e com oportunidade para todos”. Tem se apresentado com uma linguagem mais sóbria, sem os ataques raivosos contra Chávez que caracterizaram a oposição nos primeiros anos e com um discurso de pretensões de centro-esquerda.

"O ônibus do progresso": cores da bandeira da Venezuela e a bandeirinha dos Estados Unidos
Trecho da Avenida Baralt, como extensão da Praça Caracas
Ontem, domingo, pouco depois das 14 horas (15:30h em Brasília), vendendo saúde e juventude – o que se contrapõe a um Chávez de 57 anos, em tratamento contra o câncer -, depois de uma caminhada de 10 quilômetros, ele adentrou a Praça Caracas, centro da capital venezuelana, para falar aos milhares de apoiadores que começaram a encher o local desde as 9/10 horas. Quando Capriles chegou, apesar da amplitude da tradicional praça, os antichavistas já estavam esparramados por ruas circunvizinhas.

Os organizadores do evento capricharam na mobilização. Conforme anunciaram, os manifestantes partiriam de oito pontos da cidade e convergiriam para a praça, onde estão vários órgãos governamentais, como a sede do CNE, e uma das inúmeras estátuas do libertador Simón Bolívar. Eles quiseram mostrar força para servir de contra-ponto aos desanimadores (para os antichavistas) resultados de todas as pesquisas de opinião confiáveis, que estão sempre com uma diferença em torno de 30 pontos em favor do presidente (a última, divulgada pelos jornais no sábado, da Internacional Consulting Service, deu 59,4% a 29,1%).

“Estes eventos (referência ao de Capriles no domingo e ao desta segunda de Chávez, que também se inscreverá no CNE e fará concentração na mesma Praça Caracas) mostrarão uma comparação real, uma pesquisa nacional, onde no domingo Henrique Capriles estará acompanhado de milhares de pessoas que vão de maneira espontânea com o povo que o apóia e quer um país melhor; enquanto que na segunda-feira o partido do governo obrigará os funcionários públicos a descer dos ministérios para encher as ruas...”, comparou acusando Leopoldo López, da coordenação do Comando Venezuela, que aglutina os vários partidos unidos nesta eleição contra o chavismo, conforme matéria de El Universal, um dos jornais conservadores que fazem campanha aberta contra Chávez.
Un Novo Tempo, Avançada Progressista e Primeiro Justiça: três dos partidos que enfrentam o amplo favoritismo de Chávez
A cor amarela do Primeiro Justiça foi a predominante na manifestação
Quantos foram ouvir Capriles? Quantos vão ouvir nesta segunda Chávez? Independentemente da guerra de números entre a imprensa opositora e a “oficialista” (no Brasil, governista), milhares (dezenas de milhares?) estavam lá: com cartazes e bandeiras de seu partido – a de maior presença era amarela, do Primeiro Justiça, mas havia de outros: Um Novo Tempo, Avançada Progressista, Vontade Popular, etc -, fazendo barulho com cornetas, dançando ao som de alguns grupos musicais e repetindo palavras de ordem gritadas primeiro pelos animadores de comício – como “se vê, se sente, Capriles presidente”. E, no final, aplaudiram o discurso do seu candidato:

“Eu estou com vocês, eu amo este país acima de qualquer coisa... minha vida é a Venezuela, minha vida são vocês, minha vida é o povo... eu quero ser o primeiro servidor público deste país... eu estou a serviço de vocês, não vocês a meu serviço... o outro candidato propõe uma Venezuela dividida... Capriles propõe uma Venezuela unida... o outro candidato propõe uma Venezuela de violência, Capriles propõe uma Venezuela de unidade...” 

Jadson Oliveira é jornalista baiano e vive viajando pelo Brasil, América Latina e Caribe. Atualmente está em Caracas/Venezuela. Mantém o blog Evidentemente - www.blogdejadson.blogspot.com .

sábado, 9 de junho de 2012

Lambança da bancada do PT e o equívoco de defender a tarifa do Lororta !! - Parte 1

Por Vicente Cidade


Vejam só que interessante. A bancada do PT fazendo lambança para defender a tarifa inconstitucional e oportunista do Lorota.

Mas a justiça tarda, mas não falha e a bancada do PT, de novo, se desmoralizou, pois repudiou uma juíza por uma sentença que ela não deu.

Uma vergonha.

NOTA DE REPÚDIO À VALE!

A Bancada Estadual do Partido dos Trabalhadores – PT vem a público lamentar a decisão tomada pela Juíza Ana Patrícia Nunes Alves Fernandes, da 6ª Vara da Fazenda Pública de Belém, que suspendeu, nesta terça-feira, dia 5 de junho, por meio de liminar, a cobrança da Taxa de Controle, Acompanhamento e Fiscalização das Atividades de Pesquisa, Lavra, Exploração e Aproveitamento de Recursos Minerários (TFRM) de três empresas que atuam no Estado do Pará, Vale, Vale Mina do Azul e Salobo Metais.

O tributo foi criado em novembro de 2011 por meio da Lei Nº.7.591/2011 e regulamentado pelo Decreto 386/2012, que estabelece a cobrança de empresas e pessoas físicas três Unidades Padrão Fiscal paraenses (UPF-PA) por tonelada de minério explorada por mês. Os contribuintes têm até o último dia do mês seguinte ao do fato gerador para pagar. Com a medida o governo pretende, por meio da taxa, arrecadar R$ 800 milhões por ano com a atividade de pesquisa, lavra, exploração e aproveitamento dos recursos minerários realizado em solo paraense.

Ao proferir decisão judicial um magistrado exerce as suas prerrogativas constitucionais, pedra fundamental da autonomia e independência do Judiciário, entretanto é preciso deixar claro que o tributo é uma medida absolutamente necessária. Toda iniciativa que vise extrair renda da exploração de recursos não renováveis, como o caso da mineração, visa efetivar o controle estatal desta atividade, principalmente em razão dos enormes prejuízos que a Lei Kandir, em seu formato atual traz ao Estado, que desonerou as exportações.

Com a aplicação da lei estadual a perspectiva é de que a TFRM venha a gerar para o Estado, a partir de 2014, uma receita anual em valores próximos à casa de R$ 2 bilhões. Com essa receita adicional, o Governo do Estado criará uma fonte própria de recursos parecida à da Contribuição Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), os chamados royalties minerais.

A medida da justiça fere aos interesses do povo paraense, que está cansado de ver sua riqueza mineral ser levado para o estrangeiro, deixando problemas ambientais muitos sérios, levando perigo à população e poluindo as cidades. O tributo coloca em pauta a necessidade de se discutir seriamente como ressarcir os prejuízos significativos pela atividade mineradora, e construir uma solução que leve em consideração uma recompensa pelo estrago ambiental.

Agora leiam o que disse o Hiroshi

sábado, 2 de junho de 2012

MÍDIA E VENEZUELA: A VANGUARDA DO AVANÇO NA AMÉRICA LATINA

Por Jadson Oliveira


Dênis de Moraes: é fundamental o apoio à mídia comunitária (Fotos: Manoel Porto)
De Salvador (Bahia) – Os blogueiros chamados progressistas estão de olho nas eleições venezuelanas, no próximo 7 de outubro. A provável reeleição do presidente Hugo Chávez – atacado diariamente pela mídia a serviço do império dos Estados Unidos e enfrentando um tratamento contra o câncer - representa muito para a consolidação das mudanças na América Latina. Sim, porque o governo da Venezuela é “a vanguarda do avanço” na luta pela soberania e pelos interesses populares na região. Um dos maiores exemplos dessa posição é a firmeza com que combate os monopólios da comunicação, com um programa arrojado de apoio à mídia comunitária. (Este blog já produziu algumas matérias a respeito. Clique aqui para ler ou reler uma delas).

Tais aspectos foram destacados pelo professor Dênis de Moraes, da Universidade Federal Fluminense (UFF), autor do livro A Batalha da Mídia, durante um dos mais concorridos painéis (“A mídia e as eleições na Venezuela”) do III Encontro Nacional de Blogueiros, realizado em Salvador nos dias 25, 26 e 27/maio. Ele começou sua palestra lembrando a situação desoladora do Brasil no particular, dando passos iniciais e vacilantes em defesa do marco regulatório da mídia, um dos temais mais discutidos no encontro. Isto é, “talvez seja o país mais atrasado da América do Sul”, diante da concentração da chamada grande imprensa nas mãos de meia dúzia de famílias, ao contrário do estágio de luta de países como Venezuela, Bolívia, Equador e Argentina, que já contam inclusive com novas legislações.

Além do apoio à mídia comunitária, Dênis de Moraes citou outras ações ofensivas do governo para democratizar as comunicações e se contrapor aos monopólios privados, como a instalação de seis emissoras estatais (cada uma voltada para determinado espectro); não renovação da concessão da RCTV (funciona hoje apenas como TV por assinatura), emissora privada envolvida no golpe de Estado de 2002; investimento em redes digitais; nova lei de incentivo à comunicação popular;
Renato Rovai, Maximilien Arvelaiz, Igor Felippe, Dênis de Moraes e Jaime Amorim
“O Ministério das Comunicações do Brasil é um cartório do capital”

E nova lei de responsabilidade dos meios de comunicação, deixando claro que as concessões não são propriedade de pessoas ou empresas particulares e não são renováveis automaticamente, como acontece no Brasil, onde o Ministério das Comunicações é simplesmente “um cartório do capital”, como frisou o professor. Ou seja, quem detém concessão de rádio e TV é obrigado a respeitar o interesse público e a diversidade informativa e cultural.

O embaixador da Venezuela no Brasil, Maximilien Arvelaiz, participou dos debates. Ele falou da descoberta da expressão PIG (Partido da Imprensa Golpista, referente à direita que predomina na grande maioria dos veículos da velha mídia, expressão popularizada pelo blog Conversa Afiada, de Paulo Henrique Amorim). Comentou que seu alcance é internacional: a ação do PIG lhe chega logo pela manhã com os jornais do dia: é só notícia sobre a escassez de alimentos e a insegurança no seu país. “Parece que eles falam de um outro país”, disse. Não há nenhuma referência ao fim do analfabetismo, ao fim da miséria extrema, o presidente é chamado de ditador e não é lembrado que ele venceu 16 eleições democráticas nesses 13 anos que está no poder (contando com consultas, plebiscitos, etc).

Sobre o candidato presidencial da direita, de oposição ao governo, Henrique Capriles (as pesquisas de opinião lhe dão quase 30% das intenções de voto contra 50% a 60% de Chávez), os jornais passaram a divulgar que ele é de centro-esquerda e que tem como modelo o ex-presidente Lula. Não dizem aos seus leitores – contesta Arvelaiz – que Capriles foi um ativo golpista em 2002, episódio durante o qual participou da invasão à Embaixada de Cuba. Pediu então a vigilância dos blogueiros brasileiros para a eleição em seu país, alertando que o sonho da direita e do império é desestabilizar o governo bolivariano.

Baluarte da luta contra-hegemônica

Já Jaime Amorim, da direção do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), outro dos palestrantes, fez o apelo: “O povo venezuelano está na obrigação de ganhar as eleições (reeleger Chávez) e nós temos a obrigação de ajudar”. Para ele, a Venezuela é um baluarte da luta contra-hegemônica nas comunicações e é fundamental para as forças da esquerda e dos movimentos populares a vitória do presidente.
Jaime Amorim: "A vitória contra a Alca só foi possível depois de Chávez"
- A vitória contra a ALCA (Área de Livre Comércio das Américas) só foi possível depois que Hugo Chávez chegou à presidência, lembrou Amorim, discorrendo que, a partir daí, com a eleição também de outros presidentes da região, como Lula no Brasil, houve uma real mudança na correlação de forças. “Antes a integração da América Latina era com os Estados Unidos, hoje podemos dizer que somos a Pátria latino-americana”, festejou.

Outro que participou da mesa foi Renato Rovai, do Blog do Rovai, editor da revista Fórum e dirigente da AlterCOM (Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores da Comunicação). Baseado nas várias visitas feitas à Venezuela nos últimos 10 anos, ele alertou para as manipulações da mídia contra os avanços democráticos e populares do povo venezuelano. Os debates foram coordenados por Igor Felippe, editor da Página do MST.