domingo, 2 de setembro de 2012

Críticas a escolas unem blogueiras mirins de Brasil e Escócia

Clique na Imagem para ver o video

 

A convite da BBC Brasil, Martha Payne, de Argyll, e Isadora Faber, de Florianópolis, trocam vídeos com mensagens.
 
Embora uma esteja em Argyll, na Escócia, e a outra em Florianópolis, no Brasil, as meninas Martha Payne, de 9 anos, e Isadora Faber, de 13, têm muito em comum. Tímidas, porém questionadoras, as duas sonham em ser jornalistas e chamaram a atenção da mídia ao criticar as escolas onde estudam em blogs na internet, cobrando das autoridades soluções para os problemas.
A convite da BBC Brasil, as duas blogueiras-mirins trocaram vídeos contando mais sobre a experiência pessoal de cada uma. Martha ficou feliz em saber que serviu de inspiração para Isadora.
 
'Bom trabalho! Aposto que você também vai inspirar muitas outras crianças ao redor mundo!', disse a escocesa no vídeo.
Ainda no final de abril, a escocesa criou o blog 'Never Seconds' (Nunca Repetir o Prato, em tradução livre), criticando a pouca quantidade e baixa qualidade da merenda em sua escola. Além de apontar que alguns alimentos não eram saudáveis, Martha dizia que muitas vezes chegava em casa ainda com fome.
Na época, a BBC Brasil entrevistou o pai da menina, Dave Payne, trazendo a história para o público brasileiro. Na capital de Santa Catarina, Eduarda Faber, de 15 anos, leu a reportagem na internet e mostrou para a irmã mais nova.
Conhecida na família por seu lema 'tacar o horror', Isadora, que desde muito antes já dizia que pretende trabalhar como repórter, se inspirou pela ideia e logo enxergou a possibilidade de expandir o projeto.
'Se ela falou das merendas e deu resultado, vou falar também de outras coisas, porque minha escola tem mais problemas', foi a reação da garota, relembra a mãe, Mel Farber.
Brasil
Por ser mais nova, Martha divulgou as fotos das merendas em um blog montado e mantido com a ajuda do pai. Já a pré-adolescente brasileira criou sozinha a página 'Diário de Classe: A Verdade' no Facebook, com fotos de bebedouros e ventiladores quebrados, uma quadra sem cobertura e até um pedido para que um professor fosse substituído.
'Estamos no Brasil, as coisas podem ser mais difíceis', aconselhou a mãe. 'Mas mesmo assim ela embarcou na ideia e seguiu firme', conta.
Dias depois, após sites de notícias, jornais e programas de TV darem destaque ao assunto, o governo local anunciou a troca do professor e uma série de reformas foram iniciadas na escola.
Como boa jornalista, Isadora está de olho e vem postando fotos das obras que incluiem pintura da escola, novos banheiros, instalação de novas portas e até de um telefone público novo.
O blog da escocesa Martha foi lido por quase 8 milhões de pessoas em quatro meses e a página da brasileira Isadora no Facebook, em pouco mais de um mês já conquistou quase 200 mil seguidores.
Reações
Martha também conseguiu o que queria. Seu blog virou notícia não só na Grã-Bretanha mas em diversos países, e sobretudo nos Estados Unidos e na Austrália, muitas crianças copiaram a ideia.
'Sei que também há projetos semelhantes na França, Alemanha e na Nova Zelândia', diz Dave. 'Mas a grande maioria foca no assunto das merendas. A página da Isadora é a primeira a tratar de tantos assuntos, em um lugar tão longe, e sem dúvida é a que rendeu mais repercussão até agora', acrescenta o pai da menina.
Tanto a escocesa como a brasileira, no entanto, tiveram que manter-se firmes diante de represálias dentro e fora da escola. 'Os professores apoiavam, mas o conselho de educação da região não gostou e acabou retaliando', diz Dave. Em junho, o conselho de Argyll decidiu que a menina não poderia mais postar fotos de merendas em seu blog e proibiu os professores de comentarem o assunto em sala de aula.
'É difícil, porque o governo é muito maior do que nós. Ela se assustou, mas logo expliquei que os adultos ficaram bravos porque estavam com muita vergonha', explica o escocês.
Em Florianópolis, professores, coordenadores, a diretora e até as merendeiras da escola quiseram impedir Isadora de continuar com as críticas. 'Puxavam o prato da mão dela na hora da merenda. Foi sério. Ela sofreu repressão mesmo e ainda não terminou, porque a reforma da escola está na metade. Mesmo assim ela nunca faltou à aula', diz Mel.
A página da catarinense entrou no ar no dia 13 de julho, mas só ganhou repercussão nacional nesta semana.
'Tive até que me afastar do trabalho. Ela tem dado entrevistas todos os dias, para jornal, portais, telejornais. Não posso deixá-la sozinha', diz a mãe da catarinense.
África e livro
Além das críticas às merendas, o blog de Martha lançou uma campanha para arrecadar fundos para a Mary's Meal, uma entidade de caridade que entrega alimentos a escolas na África.
Em quatro meses ela arrecadou 114 mil libras (R$ 370 mil), e no fim de setembro irá ao Malawi, um dos países mais pobres do continente africano, para acompanhar os programas beneficentes.
Dave adiantou à BBC Brasil que ele e Martha estão escrevendo um livro sobre o blog, os bastidores, e como o projeto foi recebido pelo conselho de educação e por crianças ao redor do mundo. Com previsão de lançamento para o Natal, o livro se chamará 'Never Seconds'.
'O contato entre Martha e Isadora certamente será um dos pontos altos do livro', diz Dave. 'Precisamos comemorar o que estas duas meninas estão fazendo. O mais bacana é que não há política para as crianças. Elas veem o mundo real, e é ótimo vê-las sendo ouvidas. Elas não têm medo de errar. Os adultos desistem muito fácil'.
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quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Belém 400 Anos: Como é o BRT de Curitiba. Para entender por que o ...

Por Vicente Cidade

Belém 400 Anos: Como é o BRT de Curitiba. Para entender por que o ...:

Como é o BRT de Curitiba. Para entender por que o BRT de Belém está mal planejado.

Retomo o assunto do BRT de Belém, sobre o qual falei antes,
no postsobre o Ação Metrópole. O que o motiva é, simplesmente, um comentário de uma tia, que, vivendo hoje em Curitiba, e em férias em Belém, observou, enquanto passávamos pela Almirante Barroso, que há um grande problema com o BRT de Belém: o fato de ele ser, simplesmente, um linhão, sem linhas de integração de fato, que cortem a cidade em outras direções.
Foi apenas a observação de uma usuária do BRT mais conhecido do mundo, não de uma especialista. Fiquei pensando se procede. De fato, afinal, o BRT de Belém tem um perfil troncal, sem linhas radiais ou circulares. Em que medida isso pode constituir um problema para um sistema desse gênero?
Bom, antes vejamos melhor como é o BRT de Curitiba. O gráfico abaixo sintetiza sua estrutura geral:


É claro que a expansão urbana de Curitiba se dá num formato radial, ao contrário de Belém, mas o que interessa, de fato, não é o formato, e sim as características desses sistema, as quais seriam:


Ampla acessibilidade com o pagamento de uma única tarifa;

Prioridade do transporte coletivo sobre o individual;
Caracterização tronco/alimentador;
Terminais de integração fechados;
81Km de canaletas, vias ou faixas exclusivas, caracterizando corredores de transporte;
Terminais fora dos eixos principais, que ampliam a integração.
Abrangência Metropolitana.
Nenhuma dessas características estará presente no BRT de Belém. Em primeiro lugar porque o projeto tem visão restrita: é estritamente municipal, não se articula dentro de um programa mais amplo, que pense conjuntamente todos os municípios da região metropolitana – enquanto que a população desses municípios será usuária quotidiana do sistema de transporte instalado.
Em segundo lugar porque, até o momento, ninguém informou como se dará a alimentação/integração do tronco, pelas linhas que o cortam.
A imagem abaixo mostra a extensão do sistema BRT de Curitiba:



Outro ponto a considerar, e que compreendo ser o problema real da observação feita pela minha tia, é que o sistema de BRT de Curitiba é pensado de modo integrado com as diferentes demandas de transporte da cidade, e não como uma via troncal única. O BRT de Belém é concebido como uma via única que, pelo volume de sua demanda e pela alta concentração de empresas de transporte, que continuarão a atuar sem qualquer racionalização (critica que já fiz no posta anterior referido), com suas múltiplas e desnecessárias linhas, irão sobrecarregar essa via única, ampliando o caos em que já se vive, porque não oferece condições de diminuição da sobrecarga.

Como funciona em Curitiba? O conceito é o seguinte: o sistema é sempre pensado como duas vias:

Via Central: Canaleta central exclusiva para a circulação das linhas expressas (transporte de massa) e duas vias lentas para acesso às atividades lindeiras. A via exclusiva confere ganhos significativos para a velocidade operacional das linhas expressas.

Vias Estruturais: Duas vias paralelas à via central com sentido único, situadas a uma quadra de distância do eixo, destinadas às ligações centro-bairro e bairro-centro, para a circulação dos veículos privados.
Em Belém teremos apenas a via central.
Bom, é claro que se dirá algo como: é o começo, depois haverá uma expansão, nem em Curitiba se fez tudo de uma só vez...
E isso é verdade. Porém, em Curitiba, o sistema surge de um planejamento cuidadoso, dotado de um cronograma de expansão eficiente.
Em Belém não se tem nada disso. Não se pensou no futuro, nem em expansão. Não se tem conceito.
Tem-se a eterna incompetência do prefeito Duciomar e de sua equipe de nulos.

Corredores de Transporte

E por falar em conceito, vamos entender melhor qual é o verdadeiro conceito de um BRT. É o de ser um corredor de transporte – e não, exatamente, uma via.
Por corredor de transporte se deve entender o eixo estrutural de desenvolvimento urbano, com as seguintes características:

Ordenam o crescimento linear do centro;

Caracterizam as maiores densidades demográficas;
Priorizam a instalação de equipamentos urbanos;
Concentram a infra-estrutura urbana;
Definem uma paisagem urbana própria;
Traduzem os mecanismos do planejamento integrado do uso do solo;
Ordenam o sistema viário e o transporte coletivo;
Ou seja, por meio do planejamento do transporte público integrado se consegue racionalizar a própria vida urbana, gerando qualidade de vida para todos.
Um prova disso: Em 1974, 92% dos usuários da rede de ônibus local se deslocavam, cotidianamente, até a região central de Curitiba. Já em 2003, em função da estruturação dos corredores de transporte, apenas 30% dos usuários tem como destino o centro da cidade.
Na foto abaixo dá para entender melhor essa filosofia: em vermelho e em verde tem-se a via central. Em azul, as vias estruturais. É o seu conjunto que produz o efeito racionalizador urbano:

Terminais de Integração
Mais um ponto a considerar, que se apresenta como fundamental na estruturação do sistema de Curitiba, são os “terminais de integração” – estações que permitem a integração entre as diversas linhas que formam a Rede Integrada de Transporte (expressas, alimentadoras, linhas diretas e interbairros).
Ok, a publicidade de Duciomar informa que o BRT de Belém terá também esses terminais de integração. Mas estou convencido de que a turma desse prefeito infeliz não tem ideia do que é isso, de fato.
A questão é: o que será integrado? Em Belém, o máximo de integração que haverá é com as outras linhas de ônibus, todas elas de grande extensão e quase todas elas, em algum momento de seu trajeto, passando pelo mesmo corredor urbano que constitui o tronco do BRT.
Em Curitiba o BRT integra linhas alimentadoras mais curtas, com melhor atendimento aos bairros, ampliando o número de viagens a partir da diminuição do tempo de percurso.
Por lá, os terminais promovem ainda a estruturação dos bairros, concentrando atividades diversas no seu entorno.
A imagem abaixo mostra a estrutura de uma dessas estações de integração:


Por fim, é interessante ver como o sistema de Curitiba possui toda uma coerência: não se trata de pensar somente o BRT troncal, tudo está integrado e a população identifica os componentes do sistema por meio das cores dos veículos, também reproduzidas nas indicações de direção. A imagem seguinte mostra a composição da frota da região metropolitana de Curitiba. Nela, podem-se ver os vários tipos de veículos, com sua capacidade de passageiros. Percebe-se como a coerência a racionalidade fazem toda a diferença. O expresso troncal principal, por exemplo, tem apenas 2 linhas. Em Belém haverá 30, 35 linhas, sem nenhuma coerência.

Pior, as linhas troncais farão o papel, também, de linhas alimentadoras, complicando ainda mais a situação.
O quadro seguinte mostra a composição da frota do sistema de Curitiba:


Gestão e Operação do Sistema

Como funciona o sistema de Curitiba? Em síntese, uma lei, de 2008, criou uma empresa pública, a URBS - Urbanização de Curitiba S.A., a quem compete a regulação, o gerenciamento, a operação, o planejamento e a fiscalização do chamado “Sistema de Transporte Coletivo de Passageiros do Município de Curitiba” e de sua região metropolitana.
Essa empresa não possui veículos. Ela contrata outras empresas que vão efetivar o serviço, apenas gerenciando todo o processo. Sua funções, em síntese, são:

Contratar as empresas operadoras;

Definir itinerários, pontos de paradas e horários;
Determinar tipos e características dos veículos;
Vistoriar a frota e fiscalizar os serviços;
Definir o custo por quilômetro e propor tarifa;
Controlar a quilometragem rodada e passageiros;
Gerenciar a receita e remunerar as empresas por quilômetro rodado.
A operação do sistema é executada por empresas privadas, através de concessão. A estas empresas compete:

Adquirir a frota de ônibus de acordo com as determinações da URBS

Contratar e remunerar pessoal de operação (motoristas, cobradores, etc);
Manutenção e limpeza dos veículos
Executar as ordens de serviços encaminhadas pela URBS;
Arrecadar a tarifa
Repassar a arrecadação à URBS .
A relação das Empresas Operadoras do Sistema de Transporte Coletivo de Curitiba pode ser consultada através do link http://www.empresasdeonibus.com.br/empresas.php

Para concluir, ainda uma informação importante: O sistema de Curitiba desenvolveu mecanismos de racionalização baseados na ideia de agilidade que podem render boas lições a Belém e a outras cidades. Exemplo disso é a tela mostrada na imagem abaixo, à disposição do condutor do veículo e que, por um simples toque, transmite instantaneamente a informação sobre situações de emergência, que podem ocorrer, à central de operações:



Também mostro uma fotografia da central de operações do BRT de Curitiba. Para mostrar como é importante a tarefa de gerenciamento do sistema:



Como é a tarifa?

A tarifa cobrada dos usuários do transporte coletivo constitui arrecadação pública, sendo recolhida pelas empresas operadoras e gerenciada pela URBS.
O Poder Executivo fixa a tarifa com base na planilha de custos do sistema, precedida de proposta da URBS.
Para quem se interessar em entender melhor, recomendo os seguintes links:

Composição da Tarifa: http://www.urbs.curitiba.pr.gov.br/P...11_01_2009.pdf

Preço dos insumos: http://www.urbs.curitiba.pr.gov.br/P...os_insumos.pdf
Metodologia utilizada para a composição da tarifa: http://www.urbs.curitiba.pr.gov.br/P..._2009_site.pdf
Evolução da Tarifa: http://www.urbs.curitiba.pr.gov.br/P...evolucaotarifa
Como é o pagamento das passagens?
Pode ser por dinheiro ou por meio de um cartão magnético, o que agiliza bastante a movimentação do sistema.

Em 2010, a URBS ativou 1.454,128 cartões transporte. 44% das passagens da RIT são pagas com o cartão. Há mais de 20 mil empresas cadastradas na URBS para a utilização do cartão transporte por seus funcionários. Deste total de empresas, cerca de 8 mil adquirem créditos de vale transporte por meio do portal da Prefeitura na Internet.


Os números do BRT de Curitiba

2.365.000 PASSAGEIROS TRANSPORTADOS DIARIAMENTE
1915 ÔNIBUS
355 LINHAS
364 ESTAÇÕES TUBO
30 TERMINAIS DE INTEGRAÇÃO
6 CORREDORES DE TRANSPORTE
INTEGRAÇÃO COM 13 MUNICÍCIOS DA REGIÃO METROPOLITANA
Fica a lição para o futuro prefeito de Belém tentar salvar o BRT do Duciomar, fazendo uma obra mais decente e mais inteligente.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

VENEZUELA: SUSPEITAS EM TORNO DA EXPLOSÃO DA REFINARIA

O incêndio no gigantesco complexo continuava no domingo
 circunscrito a dois tanques (Foto: da Internet)
Do blog Evidentemente, de Jadson Oliveira

De Caracas – Muito além do corre-corre natural diante da tragédia causada pela explosão do maior complexo de refinação de petróleo do país – chamado Amuay, no estado ocidental de Falcón, na madrugada de sexta para sábado (41 mortes confirmadas até domingo) -, há a guerra midiática em plena campanha eleitoral em que concorre o presidente Hugo Chávez, buscando sua segunda reeleição no dia 7 de outubro.

E, claro, estão no ar muitas especulações e muitas suspeitas, nas quais joga um papel fundamental o chamado terrorismo midiático, nacional e internacional, que mira em Chávez como um dos seus vilões prediletos. E para reforçar as suspeitas, começou a circular pela blogosfera neste domingo uma matéria citando várias “coincidências” (veja mais abaixo).

Como tenho dito neste blog, em várias ocasiões, não saem da agenda diária da campanha presidencial os alertas dos chavistas e analistas quanto ao “plano B” que estaria sendo germinado a partir das hostes da direita, que tem como candidato Henrique Capriles Radonski, governador do estado de Miranda, já que é tida como muito provável, mais uma vez, a vitória eleitoral do chavismo.

Diante da tragédia da refinaria, todos se lembraram das ressalvas feitas por dirigentes de institutos de pesquisa, ao anunciarem repetidas vezes a folgada diferença das intenções de voto em favor do chefe da chamada revolução bolivariana: a vitória de Chávez só pode ser revertida se acontecer alguma catástrofe, algum evento extraordinário que provoque uma "comoção coletiva", afetando a imagem política do presidente candidato.

A comentarista internacional e advogada Eva Golinger, muito reconhecida no seio das forças bolivarianas, escreveu em sua conta no Twitter: “Não se pode ainda chegar a conclusões sobre a tragédia em Amuay, mas não seria a primeira vez que há sabotagem contra o Estado às vésperas de eleições”. (Faltam 41 dias para a votação).
Mario Silva é considerado um "guerrilheiro midiático" por seu
 confronto diário pela TV contra os meios de imprensa da direita
(Foto: da Internet)
O apresentador Mario Silva, do celebrado programa La Hojilla (A navalha), da estatal Venezolana de Televisión (VTV), comentou na noite deste domingo – vai ao ar normalmente a partir das 23 horas – que o encadeamento da cobertura de TVs internacionais com a local Globovisión foi realmente de chamar a atenção no sentido de atrair suspeitas. Da rede de imprensa privada, Globovisión é aqui o maior destaque por seu radical anti-chavismo, inclusive por sua participação no golpe de abril de 2002. Não é à toa que os chavistas se referem a ela como Globoterror.

Claro que a cobertura dos conglomerados privados da mídia enfocou principalmente opiniões e declarações sobre falta ou falhas nos serviços de manutenção e descaso do governo quanto à prevenção de acidentes. Foi divulgado, por exemplo, que moradores das vizinhanças da refinaria vinham se queixando de forte cheiro de gases, e as providências devidas foram negligenciadas. Noticiou-se também a suposta ameaça de falta de combustível, o que foi desmentido pelo governo.

Isso levou Chávez a repudiar os que querem tirar proveito político da situação, comentando quando de sua visita ao local: “Recomendo não cair em especulações, não especular, sobretudo os meios de comunicação. Quem está por aí divulgando coisas como essas, que podem causar alarme, é irresponsável ou fala sem conhecimento”. Sobre as várias hipóteses em torno do episódio, ele declarou que por enquanto nao descarta nenhuma.

As “coincidências” que intrigam

A matéria foi produzida pela estatal Agência Venezuelana de Notícias (AVN) e divulgada pela blogosfera, atribuindo as informações à coleta feita na rede social Facebook pelo “cidadão” J. W. Wekker Vega. A primeira “coincidência” teria sido a presença de uma pessoa com uma câmera profissional, às 2 horas da madrugada, nos arredores da refinaria, tendo filmado a primeira explosão. As imagens foram difundidas “com exclusividade”, em tempo recorde, pela Globovisión.

A matéria da AVN diz que à mesma hora da explosão foram registradas invasões de hackers nos sítios da Internet de três órgãos do Estado venezuelano: da Comissão de Administração de Divisas (Cadivi), do Observatório Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação e da Defesa Pública.

Outros indícios suspeitos: poucos minutos depois da tragédia foram disparados pela Internet milhares de “torpedos”, inclusive através de difusores automáticos; o tratamento “politiqueiro” dado ao fato por dirigentes da oposição, com ataques contra Chávez e a Pdvsa, a estatal de petróleo; e a circulação de informações falsas sobre o abastecimento de combustíveis, numa tentativa de gerar insegurança e caos social.

Pelo sim, pelo não, o sociólogo e cientista político argentino Atilio Boron publicou em seu blog matérias sobre as suspeitas (inclusive a da AVN referida acima), com o comentário:

“A explosão (...) não pode senão despertar suspeitas de que poderia tratar-se de uma das típicas sabotagens que o governo dos Estados Unidos costuma levar a cabo - através de diversos meios e agências - contra governantes que não se submetem às suas ordens. (...) Será o caso de acompanhar de perto as notícias e não me surpreenderia de forma alguma se num futuro não muito distante nossas suspeitas chegarem a ser cabalmente confirmadas”.

Jadson Oliveira é jornalista baiano e vive viajando pelo Brasil, América Latina e Caribe. Atualmente está em Caracas (Venezuela). Mantém o blog Evidentemente - www.blogdejadson.blogspot.com . 

domingo, 26 de agosto de 2012

OS ASSEXUADOS: ENTRA EM CENA A QUARTA ORIENTAÇÃO SEXUAL

Do blog Evidentemente, de Jadson Oliveira
 
Por The Independent (traduzido de Aporrea.org, de 21/08/2012)
 
Em papos de pátios de recreio, pelas ruas, em revistas, jornais e na televisão, nos e-mails não desejados em nossos computadores, o sexo é um tema de todo dia. Entretanto, uma pequena e comumente mal entendida minoria da população é quase totalmente ignorada: os que não sentem absolutamente nenhuma atração sexual por outras pessoas.

Um livro que será publicado no Reino Unido no próximo mês diz que esses homens e mulheres - se estima que 1% da população - devem ser reconhecidos como uma quarta orientação sexual: assexuais (ou assexuados).

O livro do professor Anthony Bogaert, "Entendendo a assexualidade", sustenta que um número cada vez maior de pessoas se considera assexual. Ele crê que os assexuados são "uma população pouco estudada" que pode sentir-se excluída da nossa "cultura muito sexualizada". Diz que nossa sociedade "deve colocar suas expectativas em ambos, as pessoas sexuais e as assexuais, mas em particular nas assexuais".

Josué Hatton, de 23 anos, estudante de idiomas de Birmingham, está de acordo. "Há três anos me encontrei com a assexualidade, isso me explicou tudo, já não tinha que mentir para mim mesmo. Se supõe que os jovens tenham algum tipo de sexo casual, é o que pensa todo mundo.
Agora me sinto mais à vontade...."

Bogaert, professor associado na Universidade de Brock, no Canadá, define a assexualidade como uma total falta de atração sexual. "Existem duas formas: as pessoas que têm algum nível de desejo sexual, mas não dirigem esse impulso para os demais (se masturbam), e outras que não têm desejo sexual em absoluto".

A primeira conferência não-acadêmica para abordar a assexualidade foi realizada na Universidade de Southbank, Londres, no mês passado. Michael Doré, organizador da conferência World Pride (Orgulho Mundial), disse: "Queremos que se reconheça a assexualidade como uma orientação sexual válida, em lugar de um transtorno ou algo que a gente tem que esconder".

O termo assexual se fez popular em 2001, quando David Jay lançou o sítio web "Visibilidade Assexualidade e Rede de Educação".
Atualmente tem mais de 50.000 membros em todo o mundo.

A comunidade assexual se compõe de pessoas que se definem como hetero-românticas, o que significa que têm sentimentos românticos dirigidos ao sexo oposto, ainda que não desejo sexual; como homo-românticas, que sentem afeto pelo mesmo sexo; e como bi-românticas.

Tradução do inglês: Aporrea.org

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Assassino de John Lennon tem pedido de liberdade rejeitado pela 7ª vez

 
DA FRANCE PRESSE
As autoridades penitenciárias americanas rejeitaram nesta quinta-feira (23) o sétimo pedido de liberdade de Mark David Chapman, o homem que assassinou o ex-beatle John Lennon em 1980, em Nova York.
"Sua libertação neste momento afetaria de maneira importante o respeito pela lei e tenderia a banalizar a trágica perda humana que você causou como resultado de seu crime atroz, não provocado, violento, frio e calculado", afirmam as autoridades em um comunicado.

France Presse
Fotografia da ficha da polícia de Mark David Chapman, que matou John Lennon
Fotografia da ficha da polícia de Mark David Chapman, que matou John Lennon
  
"Quem souber dizer a exata explicação
Me diz como pode acontecer
Um simples canalha mata um rei
Em menos de um segundo
Oh! Minha estrela amiga
Porque você não fez a bala parar"


Beto Guedes

A decisão foi adotada após uma audiência por videoconferência na quarta-feira com Chapman, de 57 anos e que está detido na penitenciária de segurança máxima de Wende, em Alden, estado de Nova York.
Chapman foi condenado em 1981 a uma pena que podia ir dos 20 anos até a prisão perpétua pelo assassinato de Lennon diante do prédio em que o ex-Beatle morava de frente para Central Park, em Nova York.
Este foi o sétimo pedido de liberdade de Chapman desde 2000, ano em que passou a ter a possibilidade de deixar a prisão. A próxima audiência do caso está marcada para agosto de 2014.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

CHÁVEZ SURFA NOS NÚMEROS DAS PESQUISAS E DA ECONOMIA

Os atos de campanha continuam: neste sábado, dia 18, os chavistas receberam o presidente-candidato em San Félix, no estado de Bolívar (Foto: AVN)
A última da Hinterlaces dá 61,45% a 38,55% e os índices da inflação, do crescimento e do desemprego só reforçam a posição do presidente. O que mais preocupa os chavistas é o “plano B” da direita

Por Jadson Oliveira, do blog Evidentemente
 
De Caracas (Venezuela) – Perguntei a um comerciante português (dono de bar e restaurante português por aqui é o que não falta) quem vai ganhar: o presidente Hugo Chávez ou Henrique Capriles, o candidato da oposição? Resposta pronta: Chávez. Por que? Porque onde há 30 ricos, há 70 pobres. A avaliação rasteira do português bate com os resultados de todas as pesquisas de opinião consideradas confiáveis, dando uma diferença que varia de 15 a 30 pontos percentuais a favor do presidente-candidato nas eleições de 7 de outubro. E as variações vêm se mostrando basicamente estáveis desde o início oficial da campanha, em 1º. de julho.

A última pesquisa da Hinterlaces, um dos institutos mais respeitados, divulgada na quinta-feira, dia 16, aponta 61,45% a 38,55%, diferença de quase 23 pontos a favor de Chávez, no caso da pergunta citando os nomes dos dois candidatos. A intenção do voto, sem o estímulo dos nomes, deu: 48% - Chávez; 30% - Capriles; 18% - não sei, não respondeu; 4% - nenhum. Quem você acredita que vai ganhar? 61% - Chávez; 25% - Capriles; 14% - não sei, não respondeu.

Tais números foram reforçados pelos índices da economia fechados com base em junho e julho e divulgados durante a semana passada, dando ao chavismo uma condição mais confortável do ponto de vista eleitoral, se é mesmo que a economia é importante para a população direcionar seu voto, como diz a maioria dos analistas.
A variação anualizada da inflação de janeiro/2010 a julho/2012
A inflação de julho, por exemplo, fechou em 1%, um dado considerado bom para a realidade venezuelana, obrigada a conviver com índices na faixa de até 31% nos últimos dois anos. A variação anualizada vem caindo paulatinamente nos últimos sete meses: estava em 27,6% em dezembro/2011 e agora em julho/2012 chegou a 19,4%, conforme dados do Banco Central e do Instituto Nacional de Estatísticas. A meta do governo para este ano é justamente ficar abaixo dos 20%.

PIB crescendo em tempos de crise

Também o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), nesses tempos magros de crise nos países centrais do capitalismo, foi motivo de júbilo entre as fileiras bolivarianas. O PIB cresceu no segundo trimestre deste ano 5,4%. No semestre ficou em 5,6%, já que no primeiro trimestre tinha crescido 5,8%, superando assim, por enquanto, a meta oficial de 5% prevista no orçamento de 2012. Já a taxa de desemprego ficou em 7,4% em julho, mantendo a tendência de baixa.

O presidente Chávez comemorou esses números, comentando que o crescimento do PIB vem decaindo nos países mais representativos do capitalismo, a exemplo dos Estados Unidos, onde os índices ultimamente têm variado de 1 a 1,5%. Lembrou que na Europa têm batido na casa de 0,2%.

A ameaça de tormentas para as lideranças e militância da chamada revolução bolivariana vem, na verdade, de outros âmbitos. Vem do tal do “plano B” da direita venezuelana e do império estadunidense, que não se conformam com a perspectiva da derrota eleitoral e contam com o respaldo do chamado terrorismo midiático. Não há um dia sequer sem que alguma liderança do governo, da esquerda, dos movimentos sociais - ou o próprio “Comandante” - venha a público, de alguma forma, para alertar contra os riscos de desestabilização, já que – argumentam os chavistas - a oposição sabe que vai perder e se recusa a reconhecer a derrota como uma decorrência natural da escolha dos eleitores. Por exemplo, não reconhece a lisura do “árbitro da partida”, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE, equivalente ao nosso TSE). “Vai cantar fraude”, garantem.
No mesmo dia 18, os anti-chavistas receberam seu candidato em Los Valles del Tuy, no estado de Miranda (Foto: Guillermo Suárez/Lapatilla.com)
Ultimamente tal cenário ganhou um ator de peso na direita sul-americana: o ex-presidente colombiano Álvaro Uribe. Quer dizer, mostrou que ainda tem peso, apesar de possíveis desgastes sofridos em seu país, com a prisão recente de familiares e do seu ex-chefe de segurança, general aposentado Mauricio Santoyo Velasco, acusados de envolvimento com o narcotráfico e os paramilitares.

Não faltou tempo a Uribe, “faltaram culhões”

Os chavistas denunciaram ligações de líderes da campanha de Capriles com Uribe e este chegou a declarar que, quando presidente, iria atacar supostas bases guerrilheiras das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em território venezuelano, mas lhe “faltou tempo”. Chávez não perdeu a deixa: respondeu que o problema não foi falta de tempo – “faltaram culhões”, disparou.

Outro dado nessa área nebulosa de temores e ameaças: na semana retrasada o governo anunciou que as forças de segurança tinham prendido um norte-americano, com formação militar, suspeito de ser mercenário. Veio da Colômbia e no seu passaporte, que tentou rasgar ao ser preso, registra passagens por países como Iraque, Afeganistão e Jordânia, dentre outros. Não quis dar informações. Tinha em seu poder um caderno cheio de coordenadas, que rasgou em parte, mas a polícia estava tentando decifrar os escritos.

E há duas semanas, o jornalista José Vicente Rangel denunciou na sua página do Últimas Notícias, considerado o jornal mais lido do país, que “há algo por trás” da campanha midiática de descrédito contra a Força Armada Nacional Bolivariana. “Em política nada é inocente, sobretudo quando provém de setores com experiência desestabilizadora”, diz, frisando que o roteiro é igualzinho ao do golpe de 11 de abril de 2002. Nesta área, particularmente, deve ter informações privilegiadíssimas, pois no golpe de 2002 ele era ministro da Defesa de Chávez. Na noite deste domingo, dia 19, no programa que mantém na emissora privada de TV, a Televen, chamado José Vicente Hoje, Rangel volta à carga repisando sua denúncia (Para ler mais sobre isto aqui no Evidentemente).

É por aí que andam as principais preocupações dos chavistas. É certamente por isso que Chávez, em meio à correria de governar e fazer campanha, “navegando” no mar de gente pelas ruas e praças do país, não esquece de advertir, como o fez num discurso recente: “A nossa revolução é democrática e pacífica, mas não é desarmada”.
 
Jadson Oliveira é jornalista baiano e vive viajando pelo Brasil, América Latina e Caribe. Atualmente está em Caracas (Venezuela). Mantém o blog Evidentemente - www.blogdejadson.blogspot.com .

terça-feira, 14 de agosto de 2012

PRIMEIRA GENERAL LÉSBICA DO EXÉRCITO DOS ESTADOS UNIDOS

Tammy Smith, 49 años, foi promovida a general de brigada (Foto: wiltondriveonline.com)
Do blog Evidentemente, de Jadson Oliveira
 
De Caracas (Venezuela) - O Exército norte-americano acaba de ascender à patente de general de brigada uma lésbica que não esconde sua orientação sexual. É a primeira vez que isto acontece. Trata-se de Tammy Smith, de 49 anos, que serviu no Afeganistão entre 2010 e 2011, conforme matéria desta segunda-feira, dia 13, publicada no portal venezuelano Aporrea.org e atribuída ao sítio RT.com.

A esposa de Smith, Tracey Hepner, é uma conhecida ativista pelos direitos das minorias sexuais e foi quem colocou as estrelas de general no seu uniforme durante o ato oficial de promoção.

Sempre de acordo com as informações de Aporrea.org, o casal Smith e Hepner legalizou sua relação em março do ano passado no distrito federal de Columbia, onde os matrimônios homossexuais foram permitidos legalmente a partir de dezembro de 2008.

Sue Fulton, uma veterana do Exército e membro da direção da associação OutServe, que luta pelos direitos dos gays no Exército, festejou num comunicado anunciando a promoção de Smith.

"Durante anos, os generais e almirantes gays e lésbicas se viram obrigados a ocultar seus parceiros com a finalidade de proteger suas carreiras. É um grande dia para nosso Exército e para nossa nação que uma líder valente seja finalmente capaz de ser reconhecida como sua esposa", disse Fulton.